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Estudo mostra uso da ivermectina no tratamento da covid como significativo

Um estudo de Israel mostrou que uso da ivermectina no tratamento de covid-19 pode ter um impacto significativo na saúde pública e encurtar o tempo de isolamento de infectados com o vírus SARS-CoV-2.

Segundo o estudo, a ivermectina, que é um agente antiparasitário de amplo espectro aprovado pela FDA, também possui atividade antiviral. Estudos in vitro demonstraram sua atividade contra a SARS-CoV-2, porém seu efeito clínico em pacientes com covid-19 nunca havia sido testado.

O estudo randomizado controlado e duplo-cego com placebo do uso da ivermectina foi realizado com 94 pacientes de covid-19 leves a moderados e não-hospitalizados. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da ivermectina na redução da eliminação viral entre pacientes com covid-19 leve a moderado e na redução do tempo de resolução dos sintomas.

Segundo uma apresentação do autor do estudo, o Prof. Eli Schwartz, do Sheba Medical Center, em Israel, os resultados da pesquisa apontaram que a ivermectina demonstrou uma atividade antiviral (anti-Sars-Cov-2), reduziu o período de eliminação viral e reduziu o tempo de infectividade. Portanto, Schwartz conclui que o estudo pode ter um impacto significativo na saúde pública e pode encurtar o tempo de isolamento.

Prof. Eli Schwartz é Diretor do Centro de Medicina Geográfica do Centro Médico Sheba em Tel-Hashomer, Israel. Sua prática se tornou o centro reconhecido pelo Ministério da Saúde de Israel para doenças tropicais e de viagem. O Dr. Schwartz está atualmente servindo como presidente da Sociedade Israelense de Parasitologia e Doenças Tropicais. Ele é professor titular (clínico) na faculdade de medicina Sacker, na Universidade de Tel-Aviv.

Entre maio e outubro de 2020, metade dos pacientes do estudo (49) receberam ivermectina em cápsulas de 3 mg, 12-15 mg / dia por 3 dias e a outra metade (45) recebeu o placebo com as mesmas quantidades. Pacientes de 40 a 69 kg receberam 4 comprimidos (= 12 mg) e pacientes de 70 a 100 kg, 5 comprimidos (= 15 mg) por dia.

Foi realizado um acompanhamento clínico diário por 14 dias através de entrevistas por telefone para monitorar sintomas, piora clínica e eventos adversos. Também foram realizados testes de PCR 6 vezes no dia 6 de randomização, no dia 8, no dia 10, no dia 12 e no dia 14.

No dia 6, os resultados mostraram uma diminuição de testes positivos para covid-19 (da carga viral) de 90% para 67,5%; uma redução de 25%, que se tornaram negativos dos pacientes que recebiam a ivermectina.

O recrutamento final registrou um total de 116 pacientes participantes do estudo. 22 pacientes saíram do estudo (placebo -14 e ivermectina – 8), devido a resultados negativos (com amostras de Ct> 35) na admissão. Resultando em um número final de 49 pacientes tomando a ivermectina e 45 recebendo o placebo.

Quando o nível de CT chega em torno de 30, o paciente é considerado não-infeccioso.

Apesar da pequena amostra, o estudo não apresentou hospitalizações em pacientes de todas as idades do grupo que recebeu a ivermectina (0/49), e do grupo do placebo, houve apenas 2 hospitalizações (2/45).

Segurança

Segundo o Prof. Eli Schwartz, nenhum problema de segurança foi relatado com os pacientes participantes do estudo, recebendo uma dose total de ivermectina por paciente de ~ 0,6 mg/kg, administrada em 3 dias.

Conclusões

De acordo com as explicações do Prof. Eli Schwartz, com base neste estudo pode-se concluir que a ivermectina demonstrou uma atividade anti-Sars-Cov-2, reduziu o período de eliminação viral, reduziu o tempo de infectividade e portanto, pode ter um impacto significativo na saúde pública e pode encurtar o tempo de isolamento do infectado com o vírus da covid-19.

Prof. Eli Schwartz aponta a importância da realização de estudos em pacientes leves de covid-19 com menos dias de infecção, pois, segundo ele, 90 a 95% dos pacientes infectados com o vírus Sars-Cov-2 se encontram nesta categoria. O que significa que em vez do paciente ficar isolado por 10 dias, talvez, no início do diagnóstico, ele possa receber 3 dias de tratamento com ivermectina, e depois poderá ficar fora do isolamento.

“Então, é uma grande mudança na economia dessa pandemia. Portanto, temos que lembrar que sob esse aspecto isso é muito importante, principalmente para os países –  que são a maior parte do mundo – que ainda não têm a vacina. A vacina não está disponível, só em israel estamos correndo com a vacina. Na verdade, ainda não vemos a redução no número de pacientes [em Israel]. Então, a ideia de que a vacina vai resolver todo o problema é uma espécie de sonho. Vai demorar muito tempo até que a grande maioria da população seja vacinada. Sabemos que as crianças não serão vacinadas por muitos anos, e sabemos que muitas pessoas não querem a vacina, ou por ela não estar disponível. Por isso a necessidade de um medicamento, o que pode realmente reduzir a carga viral, diminuir o tempo de infectividade, é altamente necessário”, disse Schwartz.

Tratamento precoce e profilaxia

“Se sabemos agora que ela [ivermectina] tem um impacto real na carga viral, podemos usá-la para duas outras finalidades: uma é prevenir a deterioração clínica”, aponta Schwartz.

Segundo Schwartz, se no início, visar o uso da ivermectina principalmente em pessoas de alto risco, aquelas que estão com mais de 50 ou 60 anos de idade, com outro fator de risco, isso pode evitar a necessidade de internação, ventilação e outras complicações da covid-19.

E a outra maneira de usar a ivermectina, de acordo com Schwartz, é como profilaxia.

“Se alguém estiver infectado com o vírus, dê o medicamento a todos os outros membros da casa e então poderemos prevenir a infecção do resto. Ou você pode fazer isso para os profissionais de risco, que se expõem com bastante frequência [ao vírus]. Então todos esses tipos de opções agora são, eu diria, possíveis, deveriam ser feitas”, disse ele.

Mais estudos

Schwartz acredita que deva-se continuar a fazer mais estudos relativos a esses aspectos da profilaxia e do tratamento precoce da covid-19 com o uso da ivermectina.

“Na verdade, pensamos em fazer um estudo em Israel sobre a ‘prevenção da deterioração clínica’. Porém, devido ao investimento, junto às pessoas que já foram vacinadas, pensamos que não conseguiríamos pessoas suficientes para este estudo”, conclui Schwartz.

Jornal Baixada Cuiabana

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